Esterilização e Superpopulação

Cães na Rua
Cães na Rua

Em Portugal, a população de cães e de gatos cresce descontroladamente dia após dia. Este aumento resulta não só das ninhadas de animais que vivem nas ruas, mas sobretudo das ninhadas geradas por animais ao cuidado de alguém. Infelizmente, são ainda demasiadas as pessoas que não se importam que os seus animais se reproduzam ou que permitem que os seus animais não esterilizados saiam de casa sozinhos, dando assim azo a que estes se reproduzam com animais na rua e dêem origem ainda a mais animais errantes. Para saber mais, não deixe de ler O Seu Animal Sai Sozinho? e também Eles Merecem Melhor!.

O destino dos animais destas ninhadas é quase sempre incerto. Muitas ninhadas nascem nas ruas (onde têm vidas e mortes sofridas), muitas outras são mortas por afogamento ou soterramento (situação ainda muito comum no nosso país), outras são “despachadas” para adoptantes irresponsáveis e outras ainda são abandonadas ou atiradas para um qualquer contentor do lixo... Uma coisa é certa: trata-se de um círculo vicioso. A maioria destes filhotes vai também reproduzir-se e dar origem a mais filhotes que terão igualmente um destino incerto. A história repete-se vezes sem conta, resultando em mais animais nas ruas, mais animais vítimas de abuso e maus-tratos, mais animais atropelados e mais animais abatidos nos canis e gatis municipais

Infelizmente, por maior que seja o nosso esforço, são sempre poucos os animais que nascem com a sorte de conseguirem um bom lar. Milhares de animais são abatidos todos os anos em canis e gatis municipais, simplesmente porque ninguém os quer. A maioria dos animais que são mortos não são idosos, não estão feridos, não estão doentes nem são anti-sociais. Muito pelo contrário, são jovens, bonitos, dóceis e brincalhões. Outro lado desta negra realidade são os milhares de animais que morrem todos os anos nas ruas devido a fome, doença, falta de cuidados, envenenamento, atropelamento, temperaturas extremas e maus-tratos. As associações portuguesas de abrigo a animais sentem-se elas próprias impotentes para dar resposta ao problema da superpopulação de animais de companhia, pois encontram-se (na sua esmagadora maioria) sobrelotadas e sem condições para acolher mais um animal que seja.

Não será mais racional e humano evitar-se o nascimento de tantos animais? A esterilização é a forma mais eficaz de combater este problema pela raiz, evitando que nasçam ainda mais animais, apenas para morrerem depois de muita dor e sofrimento. Neste momento, existem centenas de milhar de animais em Portugal que esperam ansiosamente a oportunidade de terem uma família. Não faz nenhum sentido deixar nascer ainda mais animais sem que tenhamos antes ajudado aqueles que já estão nas ruas ou nos abrigos e nos canis/gatis municipais a aguardar a possibilidade de terem uma família.

Gatos na Rua
Gatos na Rua

A Solução Passa Pela Esterilização

A superpopulação de animais de companhia, ou seja, a existência de um número muito mais elevado de animais do que de famílias dispostas a acolhê-los, tem como consequência o sofrimento e morte de muitos milhares de animais todos os anos. Esta situação não se resolve com mais albergues para animais nem com mais campanhas de adopção. O problema tem de ser atacado pela raiz: educando as pessoas para que impeçam que os seus animais se reproduzam e para que os esterilizem.

Os cães e os gatos foram seleccionados pelos humanos ao longo de milhares de anos para terem as características que hoje têm e tornaram-se dependentes de nós para sobreviverem. Nós, humanos, somos os únicos responsáveis pela superpopulação de animais de companhia e temos o dever de resolver este problema que nós próprios criámos. A magnitude do problema da superpopulação explica-se em parte pelas elevadíssimas taxas de reprodução dos gatos e dos cães. Segundo a WSPA (Sociedade Mundial Para a Protecção dos Animais), uma única cadela, com uma vida reprodutiva de 6 anos, poderá dar origem a 6000 descendentes; uma gata, em apenas 2 anos, poderá deixar 2000 descendentes.

A esterilização é a forma mais eficaz de lutar contra o gravíssimo problema da superpopulação de animais de companhia e os inúmeros problemas associados — um círculo vicioso de reprodução irresponsável, negligência, abandono, maus-tratos, morte por atropelamento e abate em canis/gatis municipais. A forma como o Estado e os Municípios lidam com o problema consiste em abater os animais que ninguém quer, uma solução que, além de desrespeitar em absoluto a dignidade dos animais, é completamente ineficaz. De acordo com um relatório de 1990 da Organização Mundial de Saúde, “a remoção e abate de cães nunca deverá ser considerada a forma mais eficaz de lidar com um problema de excesso de população de cães na comunidade: não tem efeito sobre a causa raiz do problema, que é a sobre-reprodução dos cães”. O mesmo relatório conclui que “a longo prazo, o controlo da reprodução é de longe a estratégia mais eficaz de gestão da população canina”.